Cientistas propõem baterias de fluxo para aumentar autonomia de veículos eléctricos

De Museu da Electricidade

Transportes

Protótipo de veículo integrado com bateria de fluxo redox
Protótipo de veículo integrado com bateria de fluxo redox

Investigadores do Fraunhofer Gessellschaft (Alemanha) estão a desenvolver um protótipo de bateria de fluxo para veículos eléctricos que aumente a capacidade de armazenamento e reduza o tempo de carregamento das actuais baterias de ião-lítio. Este sistema associa a tecnologia de carregamento de baterias com o actual abastecimento de combustíveis.

Por Ricardo Pinto


As baterias de fluxo redox utilizam pares dissolvidos de oxidação-redução (constituídos por um agente oxidante e por um agente redutor) que efectuam o processo de tranferência de electrões. Os pares são mantidos em reservatórios externos separados, sendo a corrente eléctrica gerada num módulo à parte. Os dois electrólitos líquidos de iões metálicos fluem através de eléctrodos porosos de grafite, estando estes separados por uma membrana que permite que os protões passem. Durante esta troca de cargas a corrente eléctrica flui pelos eléctrodos e pode ser depois usada em aplicações eléctricas.

Durante a descarga os eléctrodos são abastecidos de forma contínua pelas substâncias em dissolução nos tanques. Depois destas serem convertidas o produto resultante é removido para esse mesmo tanque ou para outro reservatório. Os dispositivos podem em teoria ser atestados numa estação de abastecimento em poucos minutos. Desta maneira o electrólito descarregado é bombeado e substituído por electrólito carregado, podendo ser novamente recarregado na estação de serviço por turbinas eólicas ou painéis fotovoltaicos.

As baterias de fluxo oxidação-redução possuem várias vantagens, entre as quais uma taxa de eficiência energética superior a 75%, um ciclo de vida de10 mil cargas/descargas, um design flexível, um tempo de resposta rápido, e baixos custos de manutenção. Estas baterias tinham até ao momento desvantagem de armazenar bastante menos energia do que as baterias de ião-lítio, de tal forma que um veículo equipado com aquelas poderia percorrer apenas 25% da distância alcançada por baterias equiparadas de ião-lítio.

A equipa do Fraunhofer Gessellschaft ampliou a capacidade da tecnologia entre quatro a cinco vezes, um valor similar ao das actuais baterias comerciais de ião-lítio, e criou já um protótipo de célula que está agora a tentar integrar e optimizar numa unidade maior.


Fonte

Green Car Congress, em 15 de Outubro de 2009


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